
Guerra pelo negócio dos MBA
Abril 15, 2008O mercado da formação de executivos está em ebulição. A fusão dos programas de MBA da Católica e da Nova em parceria com o MIT incendiou os ânimos.
Em causa está o Lisbon MBA, um supermestrado em Gestão que era suposto nascer da união de quatro escolas portuguesas, numa parceria com a Sloan School of Management do Massachusetts Institute of Technology (MIT). No entanto, as universidades designadas para liderar este projecto – a Católica e a Nova – anteciparam-se aos parceiros e já este ano arrancarão dois MBA’s (Lisbon MBA, MBA Católica|Nova). O que não agradou ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), nem ao Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), que reclamam também fazer parte do projecto.
Os directores das Faculdades de Economia da Nova e da Católica sustentam que a parceria é o primeiro passo rumo ao Global MBA. E o ISCTE e o ISEG acham, por isso, que deveriam ter sido informados, ao invés de saberem da notícia pelos jornais. “Fiquei surpreendido”, afirma o presidente da ISCTE – Business School, António Gomes Mota, acrescentando que em Junho será feito um balanço do programa acordado com o MIT e que “nessa altura logo se verá se o Global MBA é para avançar ou não”. O que é certo é que o mesmo já tem data marcada e obteve o aval do Governo. O presidente do conselho executivo do ISEG também critica a falta de abertura da Católica e da Nova. “Acho que deveríamos ter sido informados com antecedências”, salienta António Mendonça.

O ISCTE e o ISEG relegados para o esquecimento, sublinham que a fusão dos programas das suas rivais fez com que os dois institutos (re)iniciassem contactos com outras escolas, precipitando a remodelação da sua oferta. O ISCTE está empenhado no lançamento de um mestrado em Gestão de Empresas, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas – o curso será dado em Lisboa, com um módulo no Brasil. E o ISEG também está a ter reuniões com possíveis parceiros, entre os quais o próprio ISCTE.
O anúncio do MBA Católica|Nova e Lisbon MBA foi um forte abanão para o mercado, já que alguns alunos atrasaram a suas inscrições em MBA à espera do novo curso.
O funcionamento de dois super MBA entre a Católica|Nova e o futuro super MBA do Norte liderado pela Escola de Gestão do Porto (EGP UPBS), definitivamente obrigam as escolas de gestão portuguesas a repensarem os seus programas.