Ao momento o mercado dos Master of Business Administration encontra-se em alvoroço. Paralelamente à oferta do MBA Católica|Nova, surge com pompa e circunstância mais um resultado do acordo entre o Governo e o MIT, o The Lisbon MBA.
De modo a não ser ofuscada pelo brilho das instituições da capital, a Universidade do Porto relançou o seu antigo projecto, o Super MBA. Em conjunto com as Universidades de Aveiro, Católica, Coimbra e Minho decorrem negociações para lançar esta iniciativa conjunta já no próximo ano lectivo, que deverá ainda envolver a London Business School, Esade e Instituto de Empresa, instituições que já têm ligações a algumas das cinco universidades portuguesas envolvidas no futuro MBA.

No meio de tanto glamour, decorre o eterno duelo entre Lisboa e Porto que desta vez usa como armas o reconhecimento e prestígios internacionais, relegando para segundo plano outras mui nobre instituições e o próprio consumidor final.
Uma reorganização de oferta que pretende formar gestores de topo tendo por base um lobbying entre o Governo, algumas instituições nacionais e internacionais. Depreende-se que os novos diplomados destes cursos irão ter reconhecimento internacional, ordenados duplicados e carreiras de sucesso. Até aí tudo bem. Mas, onde se encaixam os diplomados oriundos de outras instituições que por motivos financeiros, ou outros, não frequentaram um destes Super MBA’s? Como ficam os estabelecimento de ensino que não se enquadram nestes grupos e vêem os seus cursos perderem o prestígio face ás novas ofertas?
O Lisbon MBA irá custar 9 milhões de euros aos parceiros privados e até mais 4,5 milhões de euros de dinheiro público (via Fundação para a Ciência e Tecnologia). Ou seja, 13,5 milhões de euros em 5 anos, para formar cerca de 330 gestores de topo. Feitas as contas: 13.500.000 euros a dividir por 330, dá 40.909 euros por cada formando. Uma vez que o programa é um MBA intensivo de 1 ano, custará cerca de 3400 euros por mês.
É caro, mas será que vale a pena? O mercado português constituído maioritariamente por PME’s, estará assim tão permeável a estes novos MBA’s de cariz internacional? É um projecto ambicioso que não tem a participação geral de outros muito prestigiados estabelecimentos de ensino. A colaboração mais alargada ao mercado nacional, traria provavelmente maiores benefícios a curto prazo face ás características do tecido empresarial em Portugal.
O argumento do Governo de que o Lisbon MBA irá contribuir para desenvolver a Ciência e a Tecnologia em Portugal é exagerar, porque qualquer contribuição será certamente muito indirecta.
